Livro de Ponto

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Comemorações

Haha!
Abro o Google e vejo que o seu logótipo tem um grande senhor da literatura portuguesa - Almeida Garrett. Fico feliz por ainda se lembrarem dos nomes sonantes da nossa língua, mas não pude evitar um certo sarcasmo ao pensar: olha! O tipo que escreveu o pior livro que li em toda a minha vida. Refiro-me às Viagens na minha terra. Felizmente que a abordagem deste livro saiu do programa de Português! Cada vez que me lembro, ainda me dá um nó no estômago…Joaninhaaaaa!



Felizmente tínhamos uma das melhores professoras que tive em todo o meu percurso escolar que o abordou da melhor forma (tentado fazer omeletas sem ovos – que aquilo para mim não tinha ponta por onde se lhe pegar) e, mais tarde contemplou-nos com alguns poemas de Folhas Caídas. Em jeito de conclusão, vou deixar os meus preferidos:

Este inferno de amar

Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é vida – e que a vida destrói.
Como é que se veio atear,
Quando – ai se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… foi um sonho.
Em que a paz tão serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele olhar…
Quem me veio, ai de mim! Despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei;
Mas nessa hora a viver comecei…

Não te amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.


PS: Almeida, meu querido, não é nada contra ti, absolutamente, mas aquele livro…valha-nos Deus…(parece que a malta do Google também preferiu as Folhas, a julgar pela imagem…)

3 comentários:

Nanaúuu disse...

alguem que me entende, é que eu já nem me lembro do livro, vê só o que me marcou,lol

Meio Cheio disse...

Era mais dificil desenhar algo relativo ás viagens na minha terra...mas o tempo desse livro ja la vai...belos tempos em que fingia ler os livros obrigatorios xD
Bom fim de semana*

Feliz aos Trinta disse...

@Nanauuu: Ui, eu nao me esqueco porque foi assim que uma vez adormeci a minha irmã! Haha - leu duas linhas e caiu pró lado!
@Meio Cheio: Eu lia - totó - agora posso criticar :P