Livro de Ponto

...Soma e Segue...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pós-Amor

Nunca aqui expus muito do meu ex-amor. Dei alguns bitaites, fiz alguns desabafos, mas de facto falar sobre o assunto em concreto não o fiz.
Sei que o blog é visto e lido por pessoas que faziam parte dos meandros daquilo que foi um namoro longo. Sim, muito longo.
Hoje apetece-me falar sobre isso. Sobre o pós-amor. O que fica quando a relação termina.
Pois bem, quem estiver com insónias (ou dor de costas) que faça o favor de se sentar comodamente. Creio que irei dissertar bastante. Azar dos que não gostarem. O blog é meu.

Todos nós, quando começamos a estar com alguém nutrimos sentimentos dóceis para com essa pessoa. No meu caso, éramos grandes amigos! Adolescentes, loucos e irreverentes! Entendíamo-nos muito bem, tirámos a carta de condução de moto juntos e frequentávamos a mesma turma.
Da sua parte nasceu algo mais forte. Eu ainda andava presa a uma paixoneta platónica de pitarolas de terceiro ciclo e, quando surgiu a hipótese de namorar com ele pensei: porque não?! Ele é giro! Tem um corpo brutal e damo-nos super bem! Pode ser que me ajude a esquecer o xxx...

O primeiro ano foi bestial - sentia-me admirada e amada de todas as formas! Era idolatrada! Podia dizer que os peixes voavam...que ele diria ser verdade! Mantivemos o companheirismo, estreitamos laços de intimidade e foi, verdadeiramente, um namoro idílico e...invejado.

No ano seguinte surgem as primeiras desavenças - trocámos de escola...não era uma questão de ciúmes, mas de prioridades. Deixei de ser a primeira escolha. Passei a dar mais do que recebia. Os papéis haviam-se invertido...E eis que se deu a primeira separação. Não, não existiam grandes discussões...pontos de vista divergentes...muito. Passados cerca de três meses retomámos. Ainda que com algumas peripécias, as coisas foram seguindo. Entrei no ensino superior - o que criou alguma insegurança...muita! Ainda se crê que toda a miúda que vai para a Queima trai o namorado. Enfim...

No terceiro ano de curso passei, literalmente, as passas do Algarve. Foi o descalabro total. Rupturas atrás de rupturas. Tornei-me ainda mais insegura, ia para as aulas num trapo e foi nessa altura que procurei ajuda na psicoterapia.

Apesar de tudo, fui conhecendo outras pessoas - muito importantes e especiais - que me faziam sentir especial, única, uma princesa.  Mas mesmo assim continuava apaixonada e, dadas as tantas, lá se reatou novamente. Sim, novamente. Persistiu até ao final do curso. Cambaleante, frágil...mas persistente!

Com a entrada no mundo do trabalho sentia-me cada vez mais sozinha. Menos amada, acarinhada, especial...e sim, tenho muita, muita necessidade de me sentir o centro da pessoa que amo. Dei por mim a ser substituída por amigos, desportos, noites...um agora quero, agora já não sei...agora amo-te...já não sei se te amo...

Novamente um ponto e vírgula. Desta feita tomada a decisão por mim - Sentia-me mais forte e capaz de aguentar essa decisão. Ou não. Dou a mão à palmatória. Era muito imatura (não estou com isto a dizer que agora não o sou!) Mas apesar de ser um mau-amor, pelo menos tinha alguém! Infelizmente, alguém de quem ainda gostava muito. Esfolei-me para reatar, mas consegui...antes não o tivesse feito, pois ouvir a toda a hora tu é que quiseste voltar dói como farpas. Ainda assim, foram mais dois anos!

À passagem para 2010, com muita insistência minha - eu sei, isso não se faz, não é assim...blábláblá - decidimos morar juntos. O processo de mudança já por si foi muito difícil - eu envolvo-me demasiado nas coisas, quero tudo perfeito! Podia não ter a concordância de todos, mas tinha o apoio. E avancei. Na minha cabeça não fazia sentido continuar separada da pessoa de quem gostava, se tinha casa e rendimento suficiente para a sustentar - afinal ambos somos autónomos.
Pedi, porque me fazia sentido, uma despedida de solteira - não sou retrógrada, mas o meu sonho era casar...e sabia que, ao viver com alguém o casamento viria muito mais tarde e, nessa altura e mantendo a mesma casa, tal não faria sentido. Assim se fez...no meu dia de aniversário. (Que ideia mais absurda...-mas como não conseguimos preparar tudo a tempo de mudar no dia dos namorados...- é que vocês não têm ideia! Tudo, tudo mesmo, avariava! Maquina de lavar louça, maquina de lavar roupa, frigorífico. Presságios?!...)
A primeira briga surgiu...passados quatro dias de convivência. A partir daí foi...o conviver com alguém e com uma mala feita - pronta a ser pegada a qualquer momento.
Da vida conjunta, guardo o primeiro sábado. Em que fui almoçar sozinha...tínhamos tido a segunda discussão na sexta. Tive uma formação de manhã e, de tarde já não fui...as mosqueteiras vieram ter comigo...lanchámos. Deram-me toda a força! Que os inícios são sempre assim...
Entra a  segunda semana...pouco ou nada mudou e no sábado - ardeu de vez. Com calma, sim, com calma, disse amo-te muito, e por isso quero o melhor para ti, quero que sejas feliz. Perguntei várias vezes se a sua decisão havia sido ponderada...então eu vou sair para que possas arrumar as tuas coisas...não quero que me vejas chorar. (E de facto, nessa conversa não chorei. Saí de casa. Peguei no carro e aí sim. Chorei...)


Sempre detestei estar sozinha. Mas apesar de tudo, voltei para aqui. Não nesse dia, mas no imediatamente a seguir. A verdade é que voltei na esperança de que ele voltasse...mas não voltou. Os dias, as semanas, os meses foram passando e acabei por ficar. No Verão houve uma tentativa de aproximação...mas...a confiança havia-se perdido. Nunca mais me senti capaz de o colocar na minha casa pois receava que a qualquer momento houvesse uma saída.

O quê que ficou desta história?
Vou ser muito sincera. Primeiro ficou a marca no meu aniversário. Só este ano pude perceber o quão marcado ficou o dia da despedida de solteira, pois, como expus, não celebrei o meu dia de anos (fi-lo mais tarde com a minha melhor amiga).
Depois ficou a força! Sim, a noção do sou capaz de viver sozinha! De ter uma casa, uma vida independente.

O que ficou do amor?
Um carinho imenso. Resolvido o ódio, a dor, a mágoa, fica uma estima, uma amizade, um carinho enorme! Sei que tenho ali alguém em quem posso confiar, com quem posso sair e me divertir muito, de quem posso obter excelentes conselhos...enfim! Ficou o que não tivemos enquanto casal.
Se hoje publico este texto é porque para mim a questão interna está resolvida - não há ressentimento! Muito me orgulho de que assim seja, pois passar por alguém que amámos tanto e ter de virar a cara...deve ser muito triste.

PS: Este sentimento é recíproco, mas não a cem por cento - na medida em que do outro lado, há mais que amizade.
PPS: Aqui só está o meu ponto de vista - a forma como eu vivi as coisas - e isso não quer dizer que haja alguém mais ou menos culpado.
PPPS: Sim...há alguns contornos da história que não foram expostos, nem o serão pois, tenho muito mais massa encefálica que muito boa gente.



Era igual - mas as Zircónias tinha forma esférica.


17 comentários:

Caracolinhos disse...

É bom quando conseguimos virar a página.
É bom quando caímos e nos conseguimos levantar com mais força.
É bom quando nos arrependemos de coisas que fizemos, mas que naquele momento era o que achavamos melhor.
Tu conseguiste isso tudo e estás aqui.
E o melhor é quando sabemos que saimos vitoriosas de tudo, apesar de todo o sofrimento. :)

Feliz disse...

Bom Bom é quando temos amigos de verdade que nos ajudam nos momentos dificeis! E nos mostram só o lado positivo! Que ouvem o nosso choro...que ouvem diariamente as mesmas queixas e que, mesmo assim nao nos viram as costas! Sai vitoriosa - com a vossa ajuda!

Anita disse...

Infelizmente (ou não...), já passei por algo semelhante... numa relação de 4 anos onde fui traída, acabei por perdoar e hoje somos bons amigos. De outra relação de quase 8 anos, em que vivemos juntos, numa casa que já era a minha, convivi com a traição e a falta de respeito, com respostas dos género "não tenho satisfações a dar-te!" e quando decidi que aquela situação não era para mim e o convidei a sair e pensar nas prioridades dele, nunca mais soube nada dele. Foram 8 anos. Já lá vão quase 2 desde que bati com a porta.
O que aprendi com isso? A não abrir a porta...
:)
Beijinho*

Andreia disse...

Admiro a tua força e a tua coragem... na tua situação acho que ficava fechada em casa uns mesinhos a chorar baba e ranho... esta coisa dos relacionamentos de mtos anos tem muita coisa boa, mas tb sao complicadinhos... enfim!
Há que guardar as coisas boas principalmente o carinho e o respeito que se tem pela outra pessoa. estou totalmente de acordo contigo quando dizes que é muito triste as coisas acabarem e a pessoa mudar de passeio ou coisa do género quando vê a outra.
Estou contente por ti... és uma lady!! :) seguiste em frente de cabeça erguida!
és um exemplo pra muita gente! :)

Monóloga disse...

Não é por se namorar muito tempo que se conhece melhor a pessoa, realmente... Pensa positiva, se ele não ficou contigo é porque não te merecia!
Se custa estar sozinha?Sim, custa... especialmente quem necessita de estar sempre apaixonada, quem não gosta de ter o coração sem estar preenchido... mas também tem muita vantagem!
No entanto, ainda não é tarde para encontrares o teu principe encantado (ou coisa parecida, porque não vale a pena 1 pessoa se iludir, esses só existem nos contos de fadas!)!
Não vale a pena se forçar algo que não dá! Quando não dá, não dá!Mais vale só e feliz!

Feliz disse...

Antes de mais, obrigada a todas pelas palvras!
É engraçado que, hoje em dia quase todas nós temos uma história semelhante - feliz ou infelizmente...
@Anita: custa dar o nosso melhor, abrir a nossa porta, como bem o disseste, e perceber que essa pessoa não o merecia. É célebre nesse momento a frase: como pude estar tão enganada!! Mas passa...o tempo de facto cura mesmo tudo e, quando maior for o nosso coração, mais fortalecido ele sai!

@Andreia - sim, é verdade! Hoje em dia já não aposto quase nada em namoros longos. Acho que o que funciona mesmo é casar/viver maritalmente no auge da paixão! Assim, na loucura! (pode ser mais uma cabeçada...que pode!) Dessa forma não se fica com a sensação de tempo vestido e perdido!

@Monologa - eu acho que a pessoa é sempre a mesma, que de facto a conhecemos tal qual ele é. A fasquia é que se eleva, as expectativas tornam-se mais exigentes e, ou sabemos contentar-nos com pouco, ou as desavenças tornam-se sistemáticas!
Eu ainda acredito em principes - mas no sentido de "a outra metade". A sério - acho que há alguem destinado a nós, ou algo destinado a nós! (há pessoas que se saciam com o trabalho...vá eu já não :P )

tiago disse...

Acho que é preciso ter coragem para contar um pouco da historia...também ao contares quer dizer que ja consegues conviver, ja ultrapassas-te uma fase menos boa. So o facto de voltares para a casa onde viveram demostra a força que tens, a vontade para continuar a tua vida...
É bom olhar para tras e sentir que conseguimos ultrapassar algo que mexia connosco, algo dificil para nos....tambem ao conseguirmos ultrapassar ficamos mais fortes, com outra perspectiva...
Sempre que uma relaçao acaba, tenha meses ou anos doi sempre. Doi mais ou menos conforme a intensedade com que se viveu ou lutou pela relaçao. Acho que muitos acomodam-se e nao dao o que tem...

Feliz disse...

O ultrapassar é sempre relativo - ha momentos e momentos...
O doer...ui se dói! Tb há fases em que se está mais susceptivel!
Acomodar...tenho uma teoria muito simples para isso: se tens alguem que se preocupa, para que te hás-de estar a ralar?!

tiago disse...

Claro que é relativo. Á momentos que estamos mais frageis....
A pergunta que deixas-te no ar...estou completamente em desacordo, nao posso concordar em nada com isso. Em poucas e simples palavras...uma relação é feita, constituida por duas pessoas, são duas pessoas que lutam por ela no dia a dia e fazem com que se mantenha estavel para continuar. São duas pessoas e não uma que se ha-de importar se a relaçao funciona ou nao.
ps:

Andreia disse...

concordo com o Tiago... uma relação é feita de uma luta a dois... se um nao se ta pra chatear é porque nao ama. simples!! um sistema assim acaba rápido, tanto da parte daquele que nao faz nada (que acaba por se saturar de tanta "exigencia") como da parte daquele que luta, que sente que dá tudo de si sem receber nada em troca.

tiago disse...

Era a opinião, a maneira de pensar que todas as pessoas que têm uma relação deviam ter Andreia mas por vezes...deixam muito a desejar

Feliz disse...

Devia ser. Mas a maioria das pessoas não sabe o que é amor, não sabe amar. Por conseguinte, a maioria das pessoas é mal amada e não sabe o que é o amor. (fiz-me entender?)
O Amor, como praticamente tudo na vida, é um jogo. Em que se planeia timings: vou mandar msg so mais daqui a pouco. Vou deixar tocar o tlm mais uma vez. Nao, desta vez na dou o braço a torcer...e por ai fora. E nao me venham cá com coisas...se nao acontece da vossa parte, acontece da outra...e se nao acontece...aconteceu, ou acontecerá, alguma vez.
Se mesmo assim, este meu contra-argumento nao se adequar às vossas relações, entao, eu ajoelho-me perante vós e grito: milagre!

Não estou a ser irónica-é o jogo do acasalamento. Vejam na natureza: tudo funciona assim! Algue conquista e alguem é conquistado!

Adoro os vossos comentários! Ideias divergentes so nos tornam mais cultos!

Ahhhhh e eu só ainda vos respondo porque o meu blog nao é famosão! Quando for, não vos passarei patavina! :P (a brincar!! sem voces isto nao era nada!!)

Beijao

Andreia disse...

Nao concordo ctg, baby... as coisas nao têm que ser assim. acho que tudo se baseia em respeito e compreensao... mutuas concessoes! e é assim que tem de ser para as coisas darem certo. essa coisa de "respondo mais logo, assim sentes a minha falta", isso cmg nao dá. e se alguma vez isso acontecer é porque o caso ta mal parado. :p
Acho que tens razao quando dizes que o ideal mesmo é as pessoas se juntarem ou casarem logo no inicio... (nao digo no dia a seguir ao inicio do namoro, mas por aí). assim na loucura!lol quando tudo ainda é perfeito...

Feliz disse...

"as coisas não têm de ser assim" - não! Claro que não...mas são! :P

Sim, estou a ser um pouco descrente até que me provem o contrário!! :P

tiago disse...

timings...numa relação tem de haver cedências de ambas as partes. Chegar ao ponto de castigar, não te vou ja atender, respondo mais tarde...acho que isso não deve existir numa relação e quando acontece é mau, muito mau mesmo. Não se deve deixar ir ao ponto, "vou ver a tua reacção, ver o que vais fazer"...mas tambem concordo contigo. Ha quem o faça ou fez. Eu pelo menos tento resolver logo...
Também concordo em juntar, casar passado pouco tempo do namoro. Se cada um tiver a sua autonomia, porque não?!!

Feliz disse...

as coisas tem de funcionar naturalmente
nao acredito em cedencias - se estas a ceder, vais esperar que alguem ceda.

tenho dito :P

Feliz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.